terça-feira, 14 de junho de 2016

2016 - POEMAS DE MARÇO E ABRIL





Mostro hoje mais uma seleção de poemas, entre os compostos em março e abril de 2016 e, com prazer, os ofereço à leitura daqueles que amam a Poesia e sempre prestigiam este blog.

TEREI DE PAGAR O PREÇO

Eu adoro sentir intensamente
tudo quanto o desejo me receita
em prazer. Só não sei se Deus aceita
ser eu, do meu desejo, um dependente.

Por essa dependência, é evidente
que algum anjo, escondido, monta espreita;
e a conta de erros que é por ele feita
há de me ser cobrada, certamente.

Vai me restar, então, pagar o preço
que o Senhor me cobrar, pois reconheço,
sem dúvida, que sempre me parcelo

entre o amor que eu deveria ter
como único e as teias de prazer
que me envolvem, num caso paralelo...
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FRUSTRAÇÃO, SEM CHORO E SEM TRISTEZA

Terminei não viajando
para onde eu queria ir
passar um fim de semana
do jeitinho que me agrada.

Meu corpo, ainda em convalescência,
não conseguiu mover-se naquela direção:
intenso que tenha sido, meu desejo de ir
tornou-se quase nada ante a vontade de Deus,
que resolveu manter-me aqui.

E ninguém pense
que fiquei magoado ou triste!...

Se Ele me obrigou a repousar o corpo
um pouco mais em favor da cura,
não interferiu na capacidade
de minha alma alimentar o sonho
de um brevíssimo reencontro
com minha terra e minha gente.
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ALGUMAS PALAVRAS

De fato, estou abatido,
e começo o tratamento
de uma grave infecção,
porém esse abatimento,
somente físico, não
abala minha alegria.

Estou bem, amigos meus,
e não deixo de sorrir
tal qual quer que eu faça Deus,
ao que não posso fugir...

Tenho à vida grande amor,
e se não alteio em versos
mágoas, dores, sofrimentos
dos momentos adversos,
é que a tristeza sombria
que envolve tais sentimentos
não cabe em minha poesia.
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POR NOSSA VOLTA AO ANTES

Eu só quero que me digas
por que tu, de modo esquivo,
não me escreves, não me ligas
para saber se estou vivo.


Penso (não sei se isso é certo)
que tu não te lembras mais
de que num passado perto
já nos amamos demais...


Retornamos à amizade,
mas a volta, na verdade,
nunca te fez recompor


jeitos de ser alterados
quando foram transmigrados
da amizade para o amor...
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COMPENSADOR

Quem valoriza amar e ser amado
nas mais diversas dimensões do amor
deve sentir-se um ser abençoado
e de nada, no mundo, ter temor.


A cada homem foi determinado
certo papel aqui, pelo Senhor,
e quem do seu não fica desviado
vê que cumpri-lo é tão compensador!


Feliz se sente e, em toda a humana lida,
faz da alegria a marca habitual
de gratidão a Deus por sua vida.


Até se o instante lhe sugira o oposto,
quando persiste inoportuno mal
em roubar o sorriso de seu rosto.
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          H A I C A I S



PROVIDÊNCIA
Não me vendo em mim,
eu desativo o motivo
que me mostra assim.


SINCERIDADE
Quando o riso diz
que alguém, a par de um porém,
se sente feliz.


BEIJOS
O que o colibri
dá à flor lembra os de amor

que tenho de ti.










 (Imagens do Google)
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INAPAGÁVEL

Decerto guardarás também na mente,
igual a mim, os cálidos instantes
do louco amor carnal, intensamente
desfrutados por nós, enquanto amantes.


Em verdade, o perigo era iminente,
em face dos encontros incessantes,
traindo aqueles com os quais a gente
mantinha relações, atadas antes.


Ouvimos o juízo... Mas chama
do fogo que pusemos nessa história
eu terei sempre acesa na memória.


Pois, se é amor o que se fez na cama
nessas entregas sem limite e lei,
jamais amei alguém como te amei!
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UM SONHO NO SONO

Dormi durante o jornal
e no sono tive um sonho
realmente interessante
sobre o instante em que se assiste
a fatos sem precedentes,
de desatino moral,
epidêmico, fatal
aos destinos tão incertos
do nosso amado Brasil.

O que encontrei no meu sonho
foi um povo envergonhado,
completamente enlutado:
não pela perda da DILMA,
mas, simples e tão somente,
pela possibilidade
de vir a ser governado
por gente com o perfil
DE MICHEL TEMER e de CUNHA.
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VIVER É MEU PRAZER

Deus me faz superar qualquer doença,
razão por que sempre me sinto bem,
a confirmar a minha forte crença
de que aqui ficarei até os cem.

Em mim qualquer transtorno se compensa
em poesia e amor, como convém
a quem adora ter a vinda intensa
e não esconde isso de ninguém.

Assim, eu vou vivendo "o aqui e agora",
gozando cada instante com prazer,
sem jamais me enxergar ao pé da cova.

Na vida nenhum medo me apavora,
pois o prazer imenso de viver
leve me torna a mais difícil prova.
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FALÊNCIA DA EXPRESSÃO VERBAL

Sempre a expressão verbal entra em falência
quando alguém em um púlpito se instala
e, soltando abobrinhas, usa a fala
na pretensão de pôr-se em evidência.

É triste ver jorrar incoerência
da mente tola de quem se regala
com falar, mas não mostra em sua fala
um vislumbre sequer de sapiência...

E nesse clima de verbal loucura,
ouvir tantas asneiras me tortura
que, às vezes, do meu estro me desnudo,

para não me tornar, também, um louco
que, tendo apenas aprendido um pouco,
seja capaz de crer que sabe tudo.
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GRATIDÃO

Bem maior que qualquer dos bens terrenos,
a vida se destaca dos demais,
pois Quem no-la concede nunca faz
distinção entre grandes e pequenos.

Ela, às vezes, me leva aos mais serenos
momentos de ternura, amor e paz,
que eu até chego a me sentir capaz
de olhar Deus respondendo aos meus acenos!

Mas, se outras vezes me parece avessa,
grande que seja o mal que me aconteça,
longe de mim tornar isso um motivo

para encher de tristeza os dias meus
e deixar de ser sempre grato a Deus
pelo favor de aqui manter-me vivo.

Agradeço a presença dos amigos leitores e os abraço com todo o meu carinho.
                                       Kleber Lago
© Kleber Cantanhede Lago

quarta-feira, 18 de maio de 2016

2016 - Cantares de Fevereiro

Imagens compartilhadas



MEARIM EM PROTESTO

Novo e triste cenário desacata
minhas lembranças do correr macio
do velho Mearim por entre a mata,
navegável, piscoso, até no estio.

Nada tinha do que hoje se retrata
nas margens, já tão cheias de vazio,
que despencam de si, como em cascata,
assoreando mais e mais o rio.

Poluem-no e o tratam com descaso,
mas Deus, que a tudo assiste, vez em quando,
esquecendo a divina gentileza,

fá-lo esbornar do leito sujo e raso
e invadir as cidades, protestando
contra o deszelo pela natureza...
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POR INSTINTO

Percebo quanto é forte a carne fraca
toda vez quando, em mim, o seu apelo
se faz desejo e com fervor me ataca,
sem que eu possa evitar satisfazê-lo.

Mas não lamento, na moral ressaca,
nem me culpo por não ter tido o zelo
de manter uno o que nunca se aparta
do dualismo, e expô-lo ao desmantelo.

Pois, se separo espírito e matéria
sempre que não consigo me conter
e trato o amor de forma pouco séria,

é por instinto e para ver, de fato,
se na junção carnal vale o prazer,
estando a alma ausente desse ato...
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 Imagem do Google
DANÇANDO A VIDA

A vida causa-me um prazer sem fim,
como uma dança, na qual me libero
de todo preconceito e não pondero
sobre se é boa a música, ou ruim.

Dançar é algo que me encanta! Assim,
eu vou dançando a vida como quero,
em ritmo de samba ou de bolero,
e sem pensar no que digam de mim.

Frequento igrejas, faço farra em bares,
levo conforto a almas desvalidas,
pratico o bem, cometo meus pecados...

E sei que pelos críticos olhares
virtudes podem não ser percebidas,
mas defeitos serão sempre notados.
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AINDA FAREI MUITOS RASTROS

Pouco importa minha idade
contada em anos vividos,
não vou submeter-me à ociosidade
física e mental,
enquanto meu corpo
for capaz de se movimentar
e meu cérebro dispuser
de lucidez.

Há muitos rastros pendentes
nos chãos que piso
nessas minhas incessantes buscas
por belezas que ainda não vi,
por mistérios que ainda não desvendei
e pelo instante poético
que ainda não consegui
traduzir em versos.


Nunca vou ficar inerte
a espera da morte,
nem lançar um olhar, mesmo de soslaio,
em sua direção,
pois amo muito a minha vida,
seja pelos prazeres que me tornam alegre
seja pelos eventuais desgostos
que não conseguem deixar-me triste...


A morte que corra atrás de mim,
já que é sua missão,
mas ela deve estar ciente
de que trenei bastante para essa corrida
e de que vai ter de enfrentar
muitos obstáculos
e levar muitos tombos
antes de alcançar-me...
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DA CASA E DO CORAÇÃO

Minha casa é muito pequena
como era a de Sócrates,
mas se não a vejo cheia
de verdadeiros amigos,
não é porque não os tenha,
e sim porque lá não há espaço
para acomodá-los.

Em compensação,
meu coração é imensamente grande
em amor e carinho,
está sempre de porta aberta
e pode comportar
todas as amizades sinceras
que queiram nele abrigar-se.
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VIVO A IDADE QUE ME DOU

Quem busca ser feliz não se amedronta,
se vive a idade com que se imagina:
eu, como a juventude me fascina,
sintro-me sempre um jovem de alma tonta.

Assim, nunca procuro me dar conta
do meu cabelo que embranquece e afina
nem me certificar do que combina
com o que o gosto de fazer me aponta.

Se qual adolescente me comporto,
mesmo com quatro além já dos setenta,
podem julgar-me louco, eu não me importo.

Pois sou o louco, cuja insanidade
é por viver e amar, enquanto aguenta,
no possível padrão de intensidade.
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 Imagem do Google

FESTIVO

No dia (não tão cedo) em que eu me for,
ganhe meu corpo o sacro ritual,
mas depois o carreguem, por favor,
para o sepulcro, em tom de carnaval.

Não quero a mínima expressão de dor
nem de tristeza um ínfimo sinal,
pois se o viver festejo com fervor,
quero festa também no funeral.

Desejo, lá no Alto, entre outras almas,
já dentro da existência do pós-morte,
sorrir, dançar, cantar e bater palmas,

feliz com a festiva despedida
da matéria carnal que deu suporte
aos meus atos de amor na humana vida!
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 Imagem compartilhada
 MEU BERÇO

Só os olhos de quem ama
são capazes de enxergar
toda a beleza que existe
nesse pedaço de chão
banhado por águas mansas
que, tal como correm lá,
correm nas minhas saudades
E VÃO ME INUNDANDO A ALMA
DAS MAIS FELIZES LEMBRANÇAS!...
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           Abraços e agradecimentos aos queridos leitores.

                                                                  Kleber Lago
© Kleber Cantanhede Lago