quinta-feira, 9 de março de 2017

2016 - Cantares de novembro

                                      (Anely Guimarães Kalil)                (Kleber Lago)



                   Vou iniciar esta postagem de Cantares de Novembro, com o poema que me dedicou uma conterrânea e amiga de infância Anely Guimarães Kalil, hoje poeta de rica expressão, da qual me desencontrei há mais de 60 anos, mas que, pelas mãos da felicidade e da poesia, foi trazida para junto de mim, a fim de que pudesse ocorrer o reencontro presencial carregado de emoção, onde gozamos a recíproca graça de reapertar os laços que o balançar dos tempos de ausência afrouxou, mas não conseguiu desatar.



AMIGO DE INFÂNCIA

Amigo reencontrado
que bom fitar
teus olhos novamente
procurava o olhar
tímido da criança
encontrei o olhar singular
do homem poeta


nas curvas dos caminhos
seguimos diferentes estradas
com nossos amores
tivemos alegrias
ao alcançar nossos desejos
a saudade dormiu
em nossos corações


as amizades nos fizeram
felizes
caminhamos pela rota
dos fortes


de cabeça erguida
conquistamos de forma
doce
fria
agressiva
árdua...
cada vitória alcançada
sempre mantendo
o ditame forte
das amizades
que emanam
dos nossos sentimentos


os amigos mesmo
distantes
"esquecidos"
deixam suas marcas
que o inconsciente guarda
no arquivo especial
do coração


os amigos estão
no passado
no presente
no futuro
no sempre...


a amizade vence
as diferenças
faz respeitar
os desejos da alma


nos afastaremos
outra vez
mas somos amigos
nos reencontraremos
no transcorrer da vida
e o meu coração
sorrirá
como hoje
de alegria
e felicidade
de te ver.


Kalil Guimarães
Em 17.11.2916
Às 19h00


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POETA ROMEIRO



Há trinta e quatro anos me repito
- não por promessa, mas por fé e amor -
nas festas de Pedreiras em louvor
ao patrono da terra, Benedito.



Dentro do Santuário tão bonito
é o povo erguendo preces ao Senhor
e homenageando o Intercessor,
em um constante e fervoroso rito!



Como poeta que se fez romeiro,
não posso me privar das emoções
dessas festas ao nosso Padroeiro.



E hei de vivê-las muitas vezes mais,
em suas missas, suas procissões
e em seus apoteóticos finais!

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COMO SE MEDE UM AMOR



Não se pode tomar
por medida de aferição
de um um grande amor,
simplesmente,
seu tempo de duração.



O amor deve ser medido
é pelas emoções
e prazeres que nos cause,
pouco importa seja longo
ou curto o tempo que dure.

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CONSELHOS A UMA AMIGA



És jovem, bela e, em talentos, rica!
Sai para vida, amiga, porque nada
que te tenha ferido justifica
viveres em ti mesma enclausurada.



Um desencanto passa... A gente fica,
e junto à porta que nos foi fechada
a sorte sempre deixa alguma dica
de como pôr de novo os pés na estrada.



Esquece esse amargor a que estás presa,
o olhar de fé para o horizonte lança,
segura novos sonhos, com firmeza,



tira da mente o que te desagrade
e, num balão inflado de esperança,
sai a voar rumo à felicidade!... 

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SONETISTA DE VOCÊ
 
Nosso primeiro encontro já deu vez
a este tão feliz envolvimento,
que louvo e canto em verso e que nos fez,
aos dois, reféns de seu encantamento.


Errados hão de nos julgar, talvez,
porém de qualquer culpa eu nos isento:
não nos juntamos por desfaçatez;
sim, por amor, afirmo em juramento.


O que vale é que os dois temos vivido
o amor que em minhas expressões em verso
já se impôs como tema preferido.


E foi por ele justamente que,
tornando-a meu poético universo,
eu me fiz sonetista de você.

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PARTICIPAÇÃO



Já faz trinta e quatro anos,
sem pular um (sempre lembro),
eu, em finais de novembro,
deixo (se os tenho), meus planos
e fazer outros evito,
para poder, em Pedreiras,
festejar São Benedito.



Até do tradicional
"soneto da sexta-feira",
coisa minha, rotineira,
eu relaxo o ritual:
na quinta viro romeiro
e vou prestar, em Pedreiras,
honras ao seu padroeiro.



Lá quero estar todo ano
enquanto vida eu gozar
e, feliz, participar
do sagrado e do profano:
do que na igreja acontece,
dos atos sacros de rua,
das atrações da quermesse!...



Filho nato da cidade,
cresci nessa tradição
de fé. A forte a razão
por que , com muita humildade,
todo ano eu me repito
nessa participação.
"SALVE, SALVE BENEDITO!"

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DOS MEUS DIAS NO FESTEJO



Quando na sexta eu a Pedreiras chego,
mal desço a mala, trato bem ligeiro
de curtir (até sábado) o aconchego
de seu povo bondoso e lisonjeiro.



Mas domingo, a despeito desse apego,
é de São Benedito o dia inteiro:
do meu pouso na Rua Ciro Rego
só saio para honrar o Padroeiro.



Vou à missa solene e à procissão;
depois, da casa da Cacilda Abreu,
assisto à última celebração.



E, ali, fico entre amigos até quando,
após o "adeus", já não mais vejo eu
luz de fogos e lenços acenando...




Grato pela visita. Abraços aos amigos leitores.
                        
                                                  Kleber Lago
© Kleber Cantanhede Lago



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

2016 - POEMANDO OUTUBRO

(Eu com quem me completa)

           Seleção de poemas compostos em outubro de 2016:
 

A OPÇÃO E SEU PORQUÊ

Foi amor proibido que, em segredo,
nós vivemos com muita intensidade,
jamais imaginando que ele, cedo,
viesse ser (sem que nos desagrade)


para nós, uma espécie de brinquedo
no plano virtual, quando a saudade
nos incita a montar certo arremedo
verbal de nossa antiga intimidade.

Ando um tanto carente de carinho
real. Porém, a recebê-lo de amor novo
eu tenho preferido estar sozinho.

E isso, desde quando percebi
que, se a buscar carinhos eu me movo
em qualquer direção, só chego a ti.
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QUANTO A PROVAS DE AMOR

Sei que somos felizes, mas é pura
verdade o fato de que, toda vez
que te confesso amar-te com loucura,
tu me dás a impressão de que não crês.

Quanto a mim - que de ti tenho a ternura
e toda a graça com que Deus te fez -
queria que pusesses mais fervura
quando o momento pede, e isso não vês.

Coisas comuns do amor homem/mulher,
que embora cheio de ternura e graça,
muitas vezes se mostra meio louco

na exigência de provas que um quer
do outro: assim, por mais que um deles faça,
o outro sempre entenderá que é pouco. 
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 (Imagem do Google)

QUADRAS

A mulher que tem certeza
de que ao seu marido ama
tanto o demonstra na mesa
quanto o confirma na cama.
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 Se versos escrevo a minha
doce amada, posso pôr,
numa única quadrinha
mais de mil provas de amor.
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Trouxeste apara o meu ninho
espírito provedor
para suprir de carinho
minhas carências de amor.
 

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(Imagem do Google)



SOBRE O PARADOXO SOCRÁTICO
                   "Scio me nescire" (Só sei que nada sei)

Toda vez que dou largas ao desejo
de conhecer verdades sobre a vida,
sinto a mente ficar meio perdida
entre dúvidas mil em que me vejo.

Situações diversas eu cotejo:
alguma coisa fica esclarecida,
mas não fica minh'alma convencida
de que eu hei de chegar aonde almejo.

Se nas reflexões vou aos extremos,
de dia, à noite, pelas madrugadas,
com o que aprendo nunca me contento.

De fato, quanto mais nós aprendemos
vão se tornando mais acentuadas
nossas carências de conhecimento. 
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                                                              (Imagem do Google)
 

HAICAIS

ETERNA CRIANÇA
    Travesso e ladino
pinto o sete e, assim, me sinto
     eterno menino.
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PUNIÇÃO
    Fiz por merecer
o castigo de, contigo,
    morrer de prazer.   
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AOS AMIGOS
    Toda a luz que emana
de Deus, a vocês e aos seus,
     na nova semana.
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SUGESTÃO

Mesmo em pecado, estávamos felizes
no amasio repleto de emoção
e de imenso prazer, cujas raízes
de nossas almas não se arrancarão.

Contudo, ao virem as primeiras crises
de consciência, ouvimos a razão,
deixando de seguir as diretrizes
ditadas pela voz do coração.

Por injusto enfrentar, a duras penas,
a dor que a falta do “nós dois” nos faz,
sugiro reprisarmos velhas cenas

de amor, em que só tu, como mulher.
de aplacar-me o desejo eras capaz...
E tenha isso o fim que Deus quiser!  
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Obrigado pela atenção! Um grande e carinhosa abraço!
                                                         Kleber Lago
© Kleber Cantanhede Lago